RODA CULTURAL BATALHA DO TANQUE, O QUE VOCÊS QUEREM VER? "SANGUE", ORGULHO E IDENTIDADE
Autor:
GUILHERME SANTOS
Ano:
2026
Gênero:
Acadêmico
ISBN:
9786556114736
Páginas:
174
Selo:
Multifoco
Vozes do Tanque: A Revolução do Hip-Hop e o Orgulho Periférico de São Gonçalo
Resistência em Rima
Na Praça dos Ex-Combatentes, em São Gonçalo, o som ecoa como grito de resistência.
É quarta-feira, e a Batalha do Tanque começa.
Entre versos improvisados, a juventude periférica transforma dor em arte e ocupa o espaço público com poesia e coragem.
A praça, antes símbolo militar, torna-se trincheira cultural.
Rimar é existir.
É desafiar o silêncio imposto pelas ausências e pela repressão.
Aqui, o hip-hop é mais que ritmo: é sobrevivência e pertencimento.
Família e Pertencimento
O Tanque é família.
“Tankfamily” é laço, código, abrigo.
Ali, cada MC é cria, criado ou relíquia.
O microfone passa de mão em mão, transmitindo legado e identidade.
As rimas não são apenas duelo — são pontes entre gerações.
A rua ensina o que a escola ignora: autoestima, solidariedade e consciência racial.
Entre beats e aplausos, nasce um sentimento coletivo de orgulho, uma pedagogia das margens que reinventa o que é ser gonçalense.
Orgulho e Identidade
O livro investiga o “orgulho” repetido nas falas dos MCs, revelando-o como afeto e performance.
Ser do Tanque é carregar no corpo a história da cidade.
É afirmar-se negro, periférico e potente.
É transformar o território em símbolo de resistência e o nome da praça em sinônimo de vida.
Com sensibilidade etnográfica, Guilherme Santos desvenda os sentidos do pertencimento e da coletividade, mostrando como a Batalha do Tanque se tornou referência nacional.
Da Margem ao Centro
De encontros informais à projeção digital, o Tanque rompe fronteiras.
A internet amplifica vozes que nasceram na rua.
O rap gonçalense chega aos palcos, aos festivais, às telas.
Nomes como Orochi, Azzy e Naan provam que o sonho periférico tem força e rosto.
A praça se transforma em vitrine e escola.
A cultura hip-hop ganha visibilidade sem perder a raiz.
Cada rima improvisada é testemunho de um Brasil que pulsa à margem, mas produz centro.
Cultura como Arma
“Cultura salva mais que bala.”
Essa frase atravessa o livro como manifesto.
Em meio ao descaso e à violência, a arte constrói futuro.
O Tanque mostra que o microfone é escudo e espada.
A cada encontro, reafirma-se o poder da coletividade e o valor da escuta.
Guilherme Santos narra com precisão o nascimento de um movimento, suas lutas, conquistas e afetos.
Mais que registro etnográfico, o livro é um tributo à força criadora das ruas e ao orgulho de ser gonçalense.