O livro investiga o carnaval de rua de São Paulo como território de ativação política e invenção de identidades da coletividade LGBTQIA+ no século XXI. A partir de uma escrita que combina autoetnografia, entrevistas e observação participante, o autor demonstra como blocos carnavalescos, festas e coletivos urbanos converteram a ocupação das ruas em linguagem política de pertencimento, visibilidade e liberdade, criando fissuras na normatividade heterossexual e cisgênera e disputando, simbólica e materialmente, o espaço público da cidade. O estudo destaca a emergência de formas organizativas fluidas e horizontais, em diálogo com cenas artístico-culturais e com o repertório festivo da vida noturna paulistana, enfatizando o corpo como suporte central de expressão e os blocos carnavalescos como dispositivos lúdicos de luta. O livro também analisa os impactos da pandemia de Covid-19, o cancelamento dos cortejos entre 2021 e 2022, a atmosfera social de medo e incerteza e a retomada do carnaval em 2023 como termômetro do estado de espírito coletivo. Ao final, aponta a festa como contraponto insurgente a um cotidiano marcado pela precariedade, pela negação de direitos e pelas violências que regulam a vida urbana de pessoas LGBTQIA+.