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Carlos Ribeiro, nascido em 1958, é jornalista, escritor, ensaísta e doutor em Literatura pela Universidade Federal da Bahia. Tem dez livros publicados, dentre os quais: O chamado da noite (7Letras), Abismo (Geração Editorial), Caçador de ventos e melancolias: um estudo da lírica nas crônicas de Rubem Braga (Edufba), Lunaris (EPP) e Contos de sexta-feira (Assembleia Legislativa da Bahia). É professor de jornalismo (UFRB) e membro da Academia de Letras da Bahia. Mora em Salvador. www.carlosribeiroescritor.com.br
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Obra: Fazedores de Tempestade
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Amostra:
aos séculos
Como todos os dias, percorria os campos. O tempo era irremediavelmente seu único amigo. Nas colinas o sol coloria as pedras. Havia espíritos na natureza, mas também com eles não podia compartilhar o rumor secreto e longínquo dos seus pensamentos.
O tempo era o vento soprando a ravina, varrendo folhas em amanheceres molhados, setas de luz correndo campos, visitando ninhos e tocas, despertando universos, empurrando águas cristalinas em correntezas. O tempo era testemunha de sua solidão.
Enquanto esperava, os séculos passavam e o tempo persistia no vento que leva sem pressa o Sol e as estrelas, destino do seu coração.
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Wilson Gorj nasceu em Aparecida/SP e desde 2011 vive em Marinópolis. Em 2007, publicou o livro Sem contos longos, obra composta por 100 micronarrativas. Seu segundo livro, Prometo ser breve (2010), foi publicado pela editora Multifoco, também sob a chancela do selo 3×4, do qual, aliás, é o editor. Muitos de seus textos encontram-se em antologias, revistas e suplementos literários. É colunista dos jornais O Lince e Comunicação Regional. Na Internet, pode ser lido em vários endereços, destacadamente no blog O Muro & Outras Páginas. Contato: gorj@jornalolince.com.br
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Obra: Histórias para ninar dragões
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Amostra:
PAREM
Levou à orelha o búzio encontrado na praia. Custou a crer no que ouvia: em vez de marulho, ecoava um barulho insuportável de buzinas e motores. Ainda não havia reparado no mar. Ondas oleosas tingiam de luto a areia, sobre a qual se acumulavam peixes mortos e outras criaturas agonizantes. A brisa fedia à gasolina. No céu, brilhava o sol. Vermelho, como a luz de um semáforo.
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ago.8,2012
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